O que fazer para garantir o sucesso de sua empresa, área ou setor?

Ai está uma pergunta que muitos livros, artigos e vídeos de negócio tentam responder a muito tempo: “O que fazer para garantir o sucesso de sua empresa, área ou setor?”. A cada mês, dezenas de livros de negócio são lançados com o objetivo de responder esta pergunta, direta ou indiretamente. Cada livro com um enfoque diferente, alguns abordando o líder, outros a equipe; alguns abordando o planejamento, outros a execução; cada um colaborando um pouco (ou pouquinho) para esta difícil pergunta (ou não seria tão difícil assim?!).

O sucesso de uma organização depende de diversas variáveis, que vão desde fatores macroeconômicos até a disposição e aplicação dos recursos internos, passando por definições estratégicas e um bom gerenciamento, mas quais são as ferramentas que realmente fazem a diferença para o sucesso de uma organização?

Joyce, Nohria e Roberson tentam responder esta pergunta no livro “O que (realmente!) funciona” (em inglês “What (really) Works”).

O livro é baseado no projeto Evergreen, que procurou entender como as organizações podem sustentar o sucesso de seus negócios a longo prazo. “Os Vencedores, sem dúvida, sabem algo que os Perdedores não sabem” (JOYCE; NOHRIA; ROBERSON, 2003, p. 16). O projeto envolveu mais de 50 teóricos e consultores que utilizaram diversas ferramentas estatísticas para analisar em profundidade 160 empresas (40 setores diferentes) em um período de 10 anos (1986 à 1996), buscando entender quais as práticas gerenciais (realmente!) fazem a diferença, sendo que foram analisadas mais de 200 práticas empresariais, que se julgavam importante para o desempenho.

O estudo dividiu o período em 2 fases: 1986 à 1990 (1º fase) e 1991 à 1996 (2º fase). As empresas foram classificadas em quatro grupos:

1. Vencedoras – empresas que superaram seus pares nas duas fases;

2. Perdedoras – empresas que foram superadas nas duas fases;

3. Ascendentes – mau desempenho na primeira fase, mas se recuperaram na segunda;

4. Decadentes – bom desempenho na primeira fase, mas caíram na segunda fase.

Esta classificação permite verificar se a descontinuidade ou aplicação de uma nova ferramenta faz diferença para o resultado. “Falando” de resultado, a variável utilizada para desempenho foi o retorno total ao acionista.

O estudo apontou que as empresas que tiveram sucesso poderiam ser enquadradas na fórmula 4+2, ou seja, há quatro práticas primárias e duas secundárias (de um total de quatro, também) que uma organização deve seguir para ter sucesso. O sucesso só foi alcançado quando a empresa seguia rigorosamente estas quatro práticas primárias e duas das práticas secundárias, sendo que não importava a ordem das práticas secundárias, bastava seguir duas delas.

As práticas primárias apontadas no estudo foram:

Estratégia: formular e manter uma estratégia clara e objetiva, sendo que esta deve ser comunicada para todos da instituição. Esta estratégia deve apontar para (1) dobrar o negócio principal da empresa a cada cinco anos, (2) formar um novo negócio correlacionado ao principal e que atinja 50% de importância do primeiro, (3) não fugir do foco da empresa;

– Desempenho: desenvolver e manter um desempenho impecável, trabalhando corte de custo e aumento da produtividade anual (acima de 6%);

– Cultura: desenvolver e manter uma cultura baseada no desempenho, desvinculando os colaboradores que não estejam engajados com a organização;

– Estrutura: construir e manter uma empresa dinâmica, flexível e simples, que não se perca na burocracia.

E as secundárias:

Talento: reter os profissionais talentosos e desenvolver o talento de outros. “O mais importante indicador de profundidade e de talento em sua organização é você ser capaz de desenvolver seus próprios astros já dentro da sua empresa, e não você, numa crise, adquirir gente talentosa vinda de fora da organização. Estes últimos podem contribuir com brilhantismo, mas não por muito tempo, pois o que os caracteriza é eles se transferirem para searas mais verdejantes” (JOYCE; NOHRIA; ROBERSON, 2003, p. 30);

Liderança: manter líderes e gerentes comprometidos com sua empresa;

Inovação: fazer inovações que transformem o setor;

Fusões e parcerias: realizar fusões, criar parcerias e crescer (coordenadamente).

O estudo e os resultados podem ser questionados, mas acredito que valem alguns insights. E na sua opinião, (1) se o estudo fosse replicado hoje, teria o mesmo resultado? (2) e se fosse aplicado no Brasil, qual seria o resultado? (3) A fórmula é valida globalmente? Para se pensar…

 

Referência

JOYCE, W. NOHRIA N. ROBERSON B. O que (realmente!) funciona. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2003.

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